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[29/09/2008]

Torres del Brujo - Chile

Por: João Cassol

O que se poderia falar sobre este setor de escalada alpina quase que completamente isolado? As primeiras imagems que vem a cabeça ao compartilhar as informações deste local são de basicamente grandes caminhadas, pedras/gelo caindo, lindas paredes e um glaciar que assusta bastante escaladores que não possuem muita experiência neste tipo de terreno.

O setor das Torres del Brujo fica localizado aproximadamente 150 kilometros ao sul de Santiago e uns 70 kilometros a leste de San Fernando, quase na fronteira que divide o território chileno com o território argentino. Esta região ficou famosa não pelas suas paredes verticais levemente negativas e sim pelo acidente que aconteceu na década de 70 com o time de rúgbi que ficaram várias semanas presos neste local após um acidente aéreo. Por volta dos anos 90 o local teve sua primeira via de escalada em rocha aberta e pela facilidade que o glaciar apresentava, a dupla que abriu a via conseguiu acessar a torre maior, abrindo a via “Los últimos dias de inocência”. Alguns anos mais tarde o local teve a visita de inúmeras equipes no que culminou em um número de aproximadamente 12-14 vias, predominando a escalada em fendas verticais ou levemente negativas de alta dificuldade.

As maiores dificuldades para se escalar neste local são as distâncias desde o ponto onde um carro pode alcançar até o acampamento base (dois dias de caminhada de 6-7 horas cada), a confluência dos rios (se estiver alto demais para cruzar tem que caminhar um dia extra), o glaciar para acessar as paredes e claro a solidão. Como o acampamento base fica a dois dias de qualquer lugar onde se pode pedir socorro, em caso de algum acidente, serão necessários no mínimo dois dias para algum resgate ou até mais, dependendo da sorte dos escaladores, isto sem comentar que não é raro o local ficar algumas temporadas sem que ninguém escale suas paredes.

Durante o tempo que ficamos no setor das Torres del Brujo, conseguimos repetir uma via chamada “Un poco de Patagonia” na torre menor do vale, chamada “El Brujo”, uma linda via de 6 cordadas bem cheias de aproximadamente 50- 60 metros cada em um grande diedro bastante sustenido, todas cordadas de 5.10+ (algo como um 7b/c nosso), super intensas, abordando vários tipos de escalada, fendas de mão, de dedos, diedros, fendas largas, lances em negativos e muito mais, uma escalada altamente recomendável e uma das mais fáceis do local.

Outra parede que subimos foi por uma via nova aberta por nós, na parede oposta do glaciar Universidad, foram o total de 4 cordadas bem cheias até a aresta de 5.10+, iniciando em um sistema de fendas perto de uma cascata de gelo. Ao chegar na aresta superior da parede, é possível seguir em simultâneo por quase 150 metros até o cume, onde a dificuldade da escalada não ultrapassa 5.9 (algo como um sexto grau brasileiro). Para rapelar, fizemos todos os rapel em fitas abandonadas com malhas rápidas (de 35 metros cada), com exceção dos dois últimos, que foram as duas únicas proteções fixas que colocamos na via para fazer dois rapel de 70 metros cada, até chegar na basa da via e no começo do glaciar. Colocamos o nome de “A última dama” em virtude da nossa vontade de encontrar alguma linha para abrir uma via e sempre que chegávamos para escalar já tinha vestígios de alguma escalada anterior, e como acontece com quem sempre chega tarde nas festas, acabam conhecendo a última dama da noite, ou seja, todas as outras já foram “escaladas”. A graduação segundo o David Trippet ficou como Grade IV 5.10+.

Nesta parede encontramos duas outras vias que depois fomos descobrir que seriam de uma equipe italiana, mas ao que parece, chegaram até o final de grande parede do começo e não se animaram em continuar pela parte fácil até o cume, porque não encontramos vestígios de algum possível rapel desde o cume.

Os outros dias foram bem tranqüilos, descansamos bastante das caminhadas e decidimos visitar uma parede negativa que vimos no final do vale, onde abrimos duas vias de 30 metros cada com proteções fixas apenas para rapelar, uma chamada “A prima feia – 5.10+” um lindo diedro com fendas de dedo e outra chamada “Cú de gato – 5.10”

Voltamos caminhando todo o percurso, o que nos rendeu inúmeras bolhas nos pés e dois dias de descanso em Santiago de Chile para se recompor.

Betas importantes:

Ao chegar a Santiago, vale mais a pena ir direto para San Fernando de trem ou de ônibus para comprar a comida e arranjar um transporte para onde começa a caminhada. Existe ônibus que vai de San Fernando até as Termas del Flaco e que passa por Puente Negra (onde é possível contatar o arriero).

A estrada para Termas del Flaco é para apenas um sentido, dependendo da hora do dia ela sobe ou desce, vale a pena se informar antes.

Para escalar no local, é importante se registrar na Delegacia de Polícia de Puente Negra, lá eles tem um mapa da região.

Em caso de algum acidente, estando registrado na delegacia, é possível conseguir um helicóptero em Rancágua (uma cidade que fica entre Santiago e San Fernando).

Dependendo da negociação com o arriero, as mulas podem sair bastantes caras, mas o preço médio para quatro dias (dois de ida e dois de volta) é algo como 300 a 400 dólares.

Links:

http://www.escalando.cl/brujo1.htm
http://www.alpinist.com/doc/web08s/wfeature-torres-del-brujo
http://www.alpinist.com/doc/ALP12/climbing-note-palma
http://altamontanha.com/news/9/news/news_item.asp?NewsID=209
http://cascadeclimbers.com/trip-reports/alpine/chile-torres-del-brujo-various-1-10-2008-3207/
http://br.youtube.com/watch?v=tnkPMI8nL_o
http://br.youtube.com/watch?v=ae5W-CXL1a0&feature=related
http://www.alborde.com.ar/escalada1/deportiva89.htm
http://mefeedia.com/entry/the-north-face-documentary-torres-del-brujo-chile/10265095/

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