[13/03/2009]
Cordadas Femininas no Cerro Catedral - Temporada 2009
Por: Andrea Soares
Em Janeiro de 2009, saímos Simone Duarte e eu (Andrea Soares) para escalar no Cerro Catedral, também conhecido por Frey na Argentina. Demoramos três dias de Florianópolis a Bariloche de carro. Chegamos pela manhã e aproveitamos o dia para fazer compras para subir no dia seguinte. O tempo durante o mês de janeiro colaborou bastante, assim que escalamos quase todos os dias de 14 de janeiro a 7 de fevereiro. Ao final havíamos estabelecido uma deliciosa rotina de acordar, comer, banheiro, escalar, volta come, vinho e dorme para escalar no dia seguinte.
Nos primeiros dias estávamos um pouco inseguras, adaptando-nos ao terreno. Mas pouco a pouco, a confiança começou a crescer entre nós. A parceria entre a cordada foi excelente e fez com que ambas desenvolvêssemos bastante. Escalamos todo tempo alternando quem guiava e isso fez com que a escalada fluisse bastante.
Fizemos vias como a Shiva de los quatro brazos (5+) na Piramidal , On marche sur la lune (6a+) na Banana, Clemenzo (5) na Principal. Fomos também na agulha El Tonto vias Le Gran tom (6a) e Lobo Blanco (6b). Nos dias de descanso de pernas e cabeça ficávamos pela M2 fazendo Socotroco (6b), Acqualung (6c, de top) e Del Diedro (5) ou então na Abuelo fazendo Aprendiendo a volar (6a) e Del Techo (6a). Até na agulha Frey “descansamos” na Sifuentes Weber (5), Los Museos (6a+) e Lost Fingers (6b). Depois pusemos as cabecinhas para fritar na Agulha Campanille Esloveno na via Founrouge Bertoncelli (6b). E, para finalizar perfeito: Gemidos de Buitre saindo por Los Bolsoneros (Tramo mais dificial 6a+).
Eu já havia ido ao Frey nos três anos anteriores, mas foi só agora que eu consegui entender as metas que se pode chegar a alcançar quando se tem uma boa parceria. Fora a força que nos dava a motivação que rolava por parte da galera que estava acampada por lá. Os escaladores nos passavam “os betas” das vias sempre incentivando-nos, acreditando que seríamos capazes.
Infelizmente, éramos a única cordada feminina do acampamento. Torço pelo dia em que se chegue a um acampamento de escalada e encontre um número mais parelho entre homens e mulheres. Não por nada. Só pra quando minha parceira quiser descansar, eu possa ter a opção de escalar com outra menina. Pra poder planejar mais cordadas femininas por ai...Cordada feminina no Peru, por exemplo!!! Morreria de satisfação...
Catherine Destivelle, grande alpinista francesa, disse em seu livro Ascensiones que um dos motivos que a levava a solar, é que sempre que ela ia com um homem, por mais que ela participasse ativamente das cordadas, ela sempre se sentia sendo levada... É, acho que ela não havia experimentado escalar com uma amigA.